É uma compulsão horrível a de
quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer.
Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me
vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E
tomo a providência cuidadosa de eu mesma me ferir, sem prestar atenção se estou
ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você
chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa
e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar.
Não se concentre tanto nas
minhas variações de humor, apenas insista em mim. Se eu calar, me encha de
palavras, me faça querer dizer outra e outra vez sobre você, sobre nós, e todo
esse encanto. Se eu chorar, não me faça muitas perguntas, não precisa nem secar
minhas lágrimas. Só me diz que você continuará comigo pra quase tudo, que tenho teu
colo e teu carinho. E ainda que te doa me ver assim, me envolva nos teus braços
e diga que eu posso chorar, mas que você não sairá dali enquanto eu não sorrir.
Porque é isso que nos importa, não é? O sorriso um do outro... Sempre!
Não ofereço perigo algum:
sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, sou
definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto - se
tomada com cuidado, verto água limpa sobre as mãos para que se possa refrescar
o rosto mas, se tocada por dedos bruscos, num segundo me estilhaço em cacos, me
esfarelo em poeira dourada.
Me explica, que às vezes
tenho medo. Deixo de ter, como agora, quando o vento cessa e o sol volta a
bater nos verdes. Mesmo sem compreender, quero continuar aqui onde está
constantemente amanhecendo.
Me ajuda que hoje eu tenho
certeza absoluta que já fui Pessoa ou VirginiaWoolf em outras vidas, e filósofa
em tupi-guarani, enganada pelos búzios, pelascartas, pelos astros, pelas fadas.
Me puxa para fora deste túnel, me mostra o caminho para baixo da quaresmeira em
flor que eu quero encontrar em seu troncoo lótus de mil pétalas do topo da
minha cabeça tonta para sair de mim e respirar aliviada e por um instante ter a certeza que nao sou mais sua, que hoje não me suporto nem me perdôo de ser como sou sem solução, alias gosto de não ter manual de instruções.
A vida é agora, aprende! Não se é pecado mentir quando
se busca a felicidade, quando se quer descobrir, quando se deseja... Você esta
apostando em você, se permitindo, abusando dos seus desejos, se completando. A
mentira dói, quando ela tira proveito, engana, se aproveita
da inocência.
As vezes para alcançar a
nossa felicidade temos que pegar atalhos, como forma de proteção de quem
amamos, mas que não nos completa. Que nos da segurança, mas não a felicidade
que precisamos e sonhamos antes de dormir... Este atalho ao "pote" de
ouro, alguns chamam de mentira, traição.... Eu chamo em alguns casos como
" se dar uma chance"!
Pare de dar nome as coisas,
e comece a dar nomes aos seus sentimentos e desejos de verdade.Minta
se preciso for.. Arrisque se o coração pedir... Ame intensamente sempre que
preciso.




